CONTABILIDADE CRIATIVA: Saiba o que é e quais seus prejuízos

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CONTABILIDADE CRIATIVACONTABILIDADE CRIATIVA: Ser atraente para o mercado acionário é o desejo de qualquer empresa.

Muitas vezes, a fim de alcançar esse objetivo, são feitas manobras para mascarar números em demonstrações contábeis
– prática conhecida como contabilidade criativa. No entanto, além de ser uma estratégia mal vista do ponto de vista ético, a longo prazo, não compensa.

Profissionais que recorrem a essa prática aproveitam brechas e ambiguidades presentes nas normas e na legislação contábil. Apesar disso, a estratégia nem sempre é considerada ilegal. Para entender melhor o conceito, conversamos com Lakshmanan Shivakumar, professor de contabilidade na London Business School.

 

Entenda o conceito de contabilidade criativa

Shiva afirma que a contabilidade criativa se refere a situações em que os relatórios financeiros não representam honestamente as atividades econômicas subjacentes de uma empresa, apesar de eles seguirem as normas e regras contábeis.

“Isso pode ocorrer quando gerentes tiram vantagem oportunamente da subjetividade concedida pelas normas de contabilidade (como o uso de estimativas contábeis excessivamente baixas ou altas), ou quando estruturam uma transação para alcançar um objetivo particular no relatório financeiro”, explica.

Segundo o professor, a manobra pode enganar investidores – às vezes, até mesmo os mais sofisticados. Shiva menciona que isso pode parecer trazer benefícios a curto prazo para uma empresa ou seus administradores, aumentando os preços das ações ou mantendo-os artificialmente elevados.

A curto prazo, a prática também pode permitir às empresas reduzirem os custos do capital. Até aqui, tudo parece uma maravilha, não é mesmo? Mas essa prática pode trazer consequências negativas para a empresa.

 

Contabilidade criativa vale a pena?

“A longo prazo, esse comportamento frequentemente leva a danos na reputação da empresa, resultando com que ela enfrente custos mais altos. A contabilidade criativa é, muitas vezes, pretendida para dar a impressão de uma performance melhor do que a realidade, o que pode fazer o empreendimento ter de pagar mais impostos”, alerta o professor.

De acordo com Shivakumar, as empresas utilizam essa estratégia por terem visão de curto prazo. “Quando os administradores estão preocupados com a performance em um breve período ao invés dos efeitos a longo prazo para a empresa, eles podem decidir se engajar com a contabilidade criativa”.

 

Por que as empresas utilizam a estratégia

Shivakumar pontua que empresas privadas de capital fechado preparam relatórios financeiros para efeitos fiscais e a fim pedir empréstimos aos bancos. Conforme o professor, nesses casos, a contabilidade criativa pode ser útil a curto prazo, pois os empreendimentos poderiam pedir emprestado por uma taxa mais baixa.

No entanto, o professor alerta que, nesses casos, os benefícios tendem a ser menores do que aqueles para grandes empresas cotadas na bolsa, já que os empréstimos privados se baseiam na construção de relacionamento – caso no qual a manobra não é útil.

“Se a contabilidade criativa é feita para reduzir impostos tirando vantagem de brechas legais, então ela aumenta os benefícios para a empresa. Mas essa estratégia com finalidades fiscais também pode ser considerada como evasão fiscal, o que é ilegal”, adverte o professor.

 

Quando a contabilidade criativa é ilegal?

Lakshmanan Shivakumar, professor da London Business School, menciona que, em princípio, um administrador está infringindo a lei quando relata algo que não é consistente com as convicções dele sobre a natureza verdadeira de uma atividade econômica. No entanto, na prática, é preciso mais do que isso para processar um gerente por utilizar essa estratégia.

É necessário mostrar que as convicções do administrador não são consistentes com o que foi reportado nas declarações financeiras, apesar de ser difícil reunir essas evidências. Shivakumar menciona que, dependendo do caso, também pode ser preciso provar que os erros no relatório financeiro não foram intencionais.

“Por último, também deve ser mostrado que o erro foi material. Isso é, alguém contando com as demonstrações financeiras deturpadas teria chegado a uma conclusão diferente se tivesse analisado os relatórios corretos”, afirma.

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Destino Negocio via www.mercadocontabil.com

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